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Relacionar-se é inerente
e essencial ao ser humano, o termo relacionamento implica a
existência de atitudes e atividades entre pessoas, o que nem sempre
é uma tarefa fácil.
É possível observar que muitos conceitos vêm se transformando, a
idéia do amor romântico onde somos metade, necessitando encontrar a
outra metade para nos sentirmos completos, vem dando espaço a uma
concepção mais madura, a de que somos unidades.
A busca no outro daquilo que falta em si pode levar a procura
incessante da realização do sonho em encontrar o parceiro perfeito.
Projetam-se os próprios desejos sobre outra pessoa, esperando
reações de acordo com o aquele ser que idealizamos. Mas a
convivência irá mostrar que cada um reage e se comporta conforme
suas peculiaridades. Nesse caso a decepção é quase inevitável, uma
vez que o outro é o que é e não o que se fantasia sobre ele. A problemática ocorre quando se percebe que a relação está permeada pela falta de um ou mais dos ingredientes básicos como: admiração, respeito, atração física e intelectual, companheirismo, desejo sexual, e ainda assim, continua-se na tentativa e na crença de que o outro e a relação poderá modificar-se. Esta escolha traz de maneira implícita o desejo de transformar o outro naquilo que se espera para sua própria satisfação e busca da sensação de completude, o que provavelmente acarretará apenas em desgaste. É necessário perceber que ninguém possui o poder de mudar o outro, e que a transformação ocorre por necessidades internas e não por pressões externas. A premissa básica para o companheirismo é a aceitação um do outro, e para aceitar o outro é necessário primeiramente aceitar a si próprio. É comum vermos relações conflitantes de longa duração na esperança de que haja uma transformação. E mesmo que, opte-se por mudar o parceiro, percebe-se que muitas pessoas acabam por encontrar indivíduos com características e comportamentos semelhantes, ocasionando assim em relacionamentos que se estabelecem e prosseguem sob uma dinâmica bastante parecida com as anteriores. É bastante usual escutar frases tais como: “sempre escolho a pessoa errada”, “achei que desta vez seria diferente”, “me decepcionei novamente”, “não tenho mesmo sorte no amor”. Onde se coloca o outro como a razão do mal estar, culpabilizando-o pelos obstáculos, limites e barreiras para o crescimento individual.
Não é regra, ainda assim é freqüente vermos que indivíduos que ainda
não se estabeleceram em um relacionamento amoroso estável, entram e
saem de relações onde a queixa sempre está baseada em questões
semelhantes, como por exemplo: relacionamento permeado por falta de
respeito, falta de atração física, falta de admiração, manipulação,
traição, inferiorização do outro...
É chegada a hora de conscientizar-se de que todo relacionamento é
50% de responsabilidade para cada uma das partes, lembrando-se que
cada uma possui sua própria personalidade, responsabilidades,
perspectivas, expectativas, crenças e valores. O relacionamento é
resultado do que cada parte coloca nele e contribui com sua porção
para a evolução, adaptando-se um ao outro, compartilhando,
concedendo, mas, em momento algum se anulando. Observa-se que muitos do que estão em um relacionamento visto como saudável encontraram anteriormente a independência, vivenciaram um tempo consigo mesmo e com outros tipos de experiências que não apenas a de um relacionamento amoroso, compreendendo assim sua própria individualidade e aceitando a condição de unidade. Aqueles que são mais “competentes” para ficar consigo mesmos tendem a eleger melhor seus pares, o que na prática só traz benefícios. É grande a probabilidade de um relacionamento dar certo quando os parceiros se vêm como unidades, seres únicos que se aproximam, se disponibilizam a dividir, respeitar, admirar confiar em si e no outro. Porém, vale lembrar que isso não significa harmonia constante e sim negociação dos conflitos e cooperação mútua, sem fugir do confronto, sem concordar em todas as situações e nem obrigar o parceiro a uma concordância incondicional. É ver o outro como alguém que possui qualidades e também defeitos, que está exposto aos desafios da vida, a vitórias e fracassos, com seus pontos fortes e com suas fragilidades. Um bom relacionamento tem como base a palavra “nós”, a interação de um com o outro, sem que haja independência e nem dependência e sim uma interdependência, em que ambos caminhem juntos, lado a lado.
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