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Anorexia: o que eu, pai ou mãe de adolescente tenho a ver com isso?
Prezado leitor, pai, mãe ou amigo de adolescente, este texto tem como objetivo preveni-lo sobre o perigo da anorexia nervosa, transmitindo, de maneira clara, algumas informações sobre esse transtorno alimentar tão comum ultimamente. Você pode estar se perguntando porquê estou me dirigindo especificamente a você, ao que respondo: prezado pai ou mãe de adolescente, a anorexia ocorre freqüentemente na faixa etária compreendida entre os 13 e os 17 anos, principalmente entre as meninas. O rígido padrão de beleza divulgado pela mídia, presente nas novelas, capas de revistas, desfiles de moda e comerciais de televisão, e infelizmente reforçado pelos grupos de que o adolescente faz parte, pode gerar uma busca incessante e muitas vezes até obsessiva pelo “corpo ideal”. Sendo assim, se o adolescente não contar com uma estrutura emocional sólida, poderá estar sujeito ao desenvolvimento de diversos problemas, dentre eles a anorexia. Mas afinal, o que é mesmo anorexia? Chamamos de anorexia uma percepção distorcida quanto ao próprio corpo: a pessoa passa a ver-se e sentir-se como "gorda" mesmo estando magra ou após perder muito peso. A partir desse “equívoco” da percepção, o portador de anorexia passa a insistir em manter seu peso abaixo dos níveis ideais para sua estatura, prejudicando seriamente a própria saúde. Mesmo quando parentes e amigos comentam sobre sua magreza excessiva, ele não consegue perceber e insiste em continuar emagrecendo. Muitos acreditam que o portador de anorexia não sente fome, o que não é verdadeiro, pois o que ocorre é que apesar da fome ele se recusa a comer, o que aumenta ainda mais seu conflito e sofrimento. Alguns apresentam episódios denominados “binge”, durante os quais comem compulsivamente grandes quantidades de alimentos e depois vomitam. Nesses casos, diferentemente da bulimia, eles não precisam provocar o vômito, pois a quantidade de alimento ingerida é tão grande que o próprio organismo se encarrega de provocar o vômito. Na bulimia, diferentemente dos episódios de “binge”, a pessoa não consegue conter o impulso de comer excessivamente, e para não ganhar peso provoca o vômito e/ou faz uso de laxantes e diuréticos. Anorexia não é sinônimo de bulimia, embora algumas vezes os dois transtornos ocorram paralelamente. Quando devo acender meu “sinal de alerta”? Quando seu filho ou filha apresentar, de maneira constante e sistemática, um ou mais dos sintomas abaixo:
O seu “sinal de alerta” acendeu? Não precisa se desesperar, pois ainda trata-se de uma suspeita, já que só um profissional pode confirmar o diagnóstico. Mas é aconselhável buscar ajuda especializada rapidamente, pois a anorexia pode trazer sérias conseqüências para a saúde do jovem. Para você ter uma idéia, essa doença pode acarretar problemas como: inanição, dores abdominais, intolerância ao frio, pele seca e/ou amarelada, hipertrofia das glândulas salivares, problemas renais, complicações cardiovasculares, problemas dentários e osteoporose. O diagnóstico foi confirmado? Ainda assim não precisa se desesperar, lembre-se que manter a calma é fundamental para ajudar seu filho ou filha. E qual é o tratamento adequado? Além disso, felizmente a anorexia tem tratamento. A combinação de psicoterapia com tratamento medicamentoso traz melhores resultados, pois enquanto o psicólogo trabalha para restabelecer a correta percepção da imagem corporal os medicamentos servem como paliativos para os sintomas e proporcionam maior conforto para o paciente até seu total restabelecimento. A internação para a reposição de nutrientes é recomendada quando o nível de desnutrição é ameaçador para a saúde. Pode ser que no início o adolescente se rebele e tente recusar o tratamento. Se isso acontecer seja firme e se preciso for impositivo. Você sempre pregou a democracia? Desculpe, mas nesse momento não vai funcionar... Trata-se de uma situação drástica: seu filho está doente, e parte dessa doença é não perceber a necessidade de tratamento, ou seja, ele está temporariamente incapaz de decidir e cabe a você tomar as providências necessárias por ele. Provavelmente em um futuro breve ele te agradecerá por isso por essa demonstração de amor e preocupação. Como posso contribuir com o tratamento? De muitas formas, pois em todas as etapas do tratamento o apoio de familiares e amigos é fundamental para o restabelecimento do adolescente. Gostaria de chamar sua atenção para os tópicos abaixo:
Como posso contribuir para prevenir esse tipo de problema? Prevenir certamente não depende só de você, pois se trata de todo um contexto social favorecedor, que exigiria ações mais amplas e coletivas de conscientização. Mas talvez algumas reflexões possam ajudar: Você se preocupa com os valores que passa para os seus filhos? Lembre-se que um valor não necessariamente é transmitido diretamente, mas também através de suas atitudes, da maneira que lida com as situações cotidianas, dos comentários que faz sobre pessoas ou situações. Logicamente que um adolescente recebe muito mais influencias do que as que você transmite em sua casa, mas independentemente da qualidade do relacionamento que você tem com seu filho, você não deixa de ser um modelo que ele pode seguir mesmo sem perceber. Porém, por estar passando por um período de emoções muito intensas e grandes mudanças, o adolescente pode ficar mais sensível as influências do meio social em que está inserido. Não podemos negar que o grupo de amigos exerce grande influência sobre o adolescente e uma certa “rebelião” contra os pais é comum nessa fase. No entanto, os valores familiares prevalecerão proporcionalmente à confiança e segurança que o jovem depositar neles. Mensagens dúbias, geralmente geram angústia e confusão. Talvez você concorde que classificar pessoas apenas com base em um corpo esbelto, sarado ou sem gordurinhas é cruel e injusto, pois o conceito de beleza deveria ir muito além do físico. Mas você age de maneira coerente com essa crença? Será que não contribuímos com a manutenção dessa lógica perversa quando nos preocupamos excessivamente com futilidades? E a quem nossos filhos tomarão como modelos? Mesmo correndo o risco de repetir um “clichê” não posso deixar de destacar que diálogo nunca é demais. Ao criar o hábito de conversar com seus filhos de maneira coerente, franca e carinhosa, sem com isso perder sua autoridade de pai ou mãe (pois eles também precisam de limites), você estará agindo preventivamente e contribuindo para a construção de uma auto-estima sólida. Lembre-se: auto-estima saudável é uma “santa vacina” para “imunizar” o jovem desse tipo de apelo, que pode culminar em problemas tão graves como a anorexia. Fica dado o alerta: vamos agir preventivamente!
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